VIDEOS: NE2 DE QUINTA-FEIRA 5 DE JUNHO DE 2025
Câmara de Vereadores do Recife debate ações sobre mudanças climáticas
No Recife, o Dia Mundial do Meio Ambiente não passou despercebido. Em vez de discursos protocolares e fotos posadas com mudas de árvores, a Câmara Municipal foi palco de um debate que, se levado a sério, pode redefinir o futuro da cidade diante da crise climática.
Foram apresentados cinco projetos de lei e quatro requerimentos que miram um objetivo claro: preparar o Recife para resistir, se adaptar e prosperar em um mundo de eventos extremos cada vez mais frequentes. A iniciativa é da vereadora Liana Cirne (PT), que escolheu o simbolismo da data para dar corpo a um pacote legislativo ousado.
Do IPTU Verde ao combate a crimes ambientais
Entre as propostas, chama atenção a criação do IPTU Verde — um incentivo fiscal que prevê desconto de, no mínimo, 5% no imposto para imóveis que adotarem pelo menos duas práticas sustentáveis, como instalação de painéis solares, reúso de água ou captação da chuva. Mais que economia para o bolso, é um convite para o cidadão participar ativamente da transição ecológica.
Outro ponto firme: a proibição de contratos públicos com empresas condenadas por crimes ambientais. Sim, na prática, isso significa cortar o dinheiro público de quem destrói o patrimônio natural. Uma medida óbvia, mas que até hoje carecia de regra formal na cidade.
Há ainda a obrigatoriedade de rotas de fuga em áreas de risco e a exigência de avaliações de riscos climáticos em novas obras, medidas que colocam a segurança da população no centro da discussão urbanística.
Canal direto para denúncias: o Disque Verde
Um dos requerimentos sugere a criação de um canal digital para denúncias ambientais, integrado ao Conecta Recife. A ideia é facilitar a participação da população no monitoramento e combate de infrações, tornando o cidadão um aliado direto na defesa do meio ambiente.
A cidade que queremos — e a que não podemos mais aceitar
Recife é uma das capitais mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas, especialmente no risco de elevação do nível do mar e enchentes. Aqui, cada chuva forte carrega não só lixo e lama, mas também um alerta: estamos no limite.
A discussão de hoje na Câmara é um passo. Pequeno diante do desafio global, mas gigantesco se comparado à paralisia que muitas vezes toma conta das pautas ambientais no país. Como lembrou Liana Cirne, não basta falar de sustentabilidade em datas comemorativas — é preciso traduzir discurso em lei, e lei em ação concreta.
