Filho adotivo é condenado a 50 anos de prisão por matar os pais visando herança

Um crime que chocou o Agreste pernambucano em 2020 teve desfecho judicial  nesta segunda-feira (23). Gabriel Martins de Melo foi condenado a 50 anos de prisão por planejar a morte dos pais adotivos, no município de  Canhotinho. 

O crime aconteceu na noite de 9 de janeiro de 2020. Um casal foi atacado dentro da própria residência, no município de Canhotinho. Minéia Silvânia da Silva, 47 anos, foi executada com um tiro na cabeça. Já o marido, Josenildo Martins de Melo, também foi baleado na cabeça, mas sobreviveu após intervenção médica, ficando com graves sequelas.

Logo após o crime, os autores ainda subtraíram objetos da casa, como celulares, notebook e dinheiro, o que levou inicialmente a polícia a tratar o caso como latrocínio. No entanto, o aprofundamento das investigações revelou que o roubo foi apenas um elemento forjado para encobrir o plano.

Segundo o Ministério Público, o crime foi planejado por Gabriel Martins de Melo, filho adotivo das vítimas, que teria contratado três executores para matar os próprios pais. O objetivo, conforme apurado, era assumir o controle da herança.

De acordo com a denúncia, os executores aguardaram a chegada do casal e invadiram a residência no momento em que o portão foi aberto. Minéia foi rendida, teve as mãos amarradas e foi morta com um disparo na cabeça. Josenildo também foi baleado e deixado gravemente ferido. O crime ocorreu na presença de um filho menor do casal, irmão do mandante, o que agravou ainda mais a repercussão social do caso.

A Justiça destacou, na sentença, a extrema frieza e o grau de premeditação, especialmente por se tratar de um crime cometido contra os próprios ascendentes, motivado exclusivamente por interesse financeiro.

O julgamento ocorreu perante o Tribunal do Júri da Comarca de Caruaru, após desaforamento do processo. Os jurados reconheceram a materialidade e autoria dos crimes, acolhendo integralmente a tese do Ministério Público. Todos os réus foram condenados por homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio e, no caso dos executores, também por roubo majorado.

Além de Gabriel Martins de Melo, condenado a 50 anos de prisão, também foram sentenciados Edivânio Campelo do Nascimento, conhecido como “Galego”, a 52 anos e 1 mês; José Diego Costa da Silva, o “Bracinho”, a 49 anos e 7 meses; e José Carlos da Silva Júnior, a 56 anos, 5 meses e 15 dias.

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